segunda-feira, 14 de março de 2016

"La Cappella Sistina raccontata da Antonio Paolucci" (2012) documentário de Nino Criscenti





"O Cultivo de Flores de Plástico", de Afonso Cruz


«No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. 

Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco dos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam, ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da sua vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. 

E eu? Eu sou o Jorge, também invisível como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa que está a arrefecer há tantos anos.»


Daqui: Wook


A Vida Portuguesa

Jarro Rã (47€)

Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro


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Chapter I - Pronunciation and spelling (III)

1.1 Vowels

1.1.1 Oral vowels

i -- example -- pronounced as

         mina -- feet


o -- example -- pronounced as

open o -- porta -- iozenge

closed o -- moço -- torso

unstressed o -- moço -- zoo



u -- example -- pronounced as


 
      -- luta -- loot


The u is silent* in que, qui, gue and gui (quente, quilo, guerra, guita) and pronounced in qua, quo and gua (quatro, quórum, guarda)

* there are some expections where the u is read: tranquilo, equestre, etc.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

"Pioneers of Globalization -- Why the Portuguese surprised the World", de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas


«Globalization is a product of the modern world. Although among economists there is no common overarching opinion in relation to the development of economic globalization, recent studies show three basic waves in the last five and a half centuries.

The first wave was a consequence of the voyages across the oceans, initiated by the Portuguese at the beginning of the 15th century. It is only after the discoveries they made that the term «international commerce» begins to make sense – it became truly global involving four continents. Leo Huberman, in his famous Man’s Worldly Goods, considers this period a real “commercial revolution”, when trade took on a dimension that had not existed during the Mongolian Empire or the golden Mediterranean age with the Italian maritime republics.

The elaboration of an evolving portfolio of commodities transformed Portugal, the “small peripheral rectangle of Europe,” as a main focus point. First, in Lagos, with the establishment of the House of Guinea by Prince Henrique, which assisted the infamous boom of slave trade, and later on, with the appearance of the new golden route in the Atlantic Ocean. The cultivation of sugar cane in Madeira, from 1452, would also bring a new type of business.

Later, King João II decided to move the House of Commerce to Lisbon, naming it the House of Mina. After Vasco da Gama’s return from India, spices entered through the Tejo river and Portugal assisted in the birth of the House of India, set in Ribeira Palace, during the reign of King Manuel I. In 1503, the “Baixa Lisboeta” became the center of the European pepper trade.»



domingo, 25 de outubro de 2015

"Não gosto tanto", poema de Adília Lopes

A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.

Mallarmé


Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito de seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever.


Adília Lopes, De Florbela Espanca espanca (1999)